QUADRINHO NACIONAL E O MERCADO DE LUXO

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Sem duvida esse é o melhor momento do quadrinho nacional, na historia do Brasil, nao sou nenhum especialista no mercado, e muito menos tenho formação pra falar sobre isso , mas posso dar minha visão de leitor e consumidor .

Provavelmente os mais novos nao devem saber, mas no começo quadrinho nacional era sinônimo de amadorismo,nao por má vontade dos autores, mas sim por falta de recurso mesmo , na época nao tinha internet, cursos de desenho só em São Paulo, e material profissional pode esquecer.

O autor nacional precisava se virar com o que não tinha , começando com a questão de conhecimento técnico sobre desenho, hoje temos milhares  de livros de desenho nas bancas, mas na época ter uma revista de aprenda a desenhar em inglês era ouro, como eu disso antes curso de desenho só em são paulo, e destes eram poucos os que ensinavam a narrativa visual dos quadrinhos, e muito menos sobre roteiro, em relação a faculdade infelizmente a situação não mudou, o brasil ainda carece disso, devido ao fato de arte nao ser levada como algo serio, por não ser de tanta utilidade para o sistema capitalista em que vivemos, e mesmo dentro das faculdades de artes plasticas, havia e ainda ha um grade preconceito com a mídia quadrinhos, que nem se quer e considerado como uma forma de arte(o que e uma tremenda ignorância)

Materiais de desenho profissionais naquela época era um sonho distante, o máximo que dava pra fazer era conseguir uma pena mosquito, e se virar com nanquim escolar e papel e sulfite mesmo , junte isso a falta de informação dos autores, e pronto tínhamos o fanzine, feito da forma mais porca possivel arte finalizado com caneta bic preta e capa colorida com lápis de cor, xerocada na loja do tio da esquina e por fim grampeado e pronto, pra ser vendido no evento da cidade, e por incrível que pareca vendia, mas como eu disse era outra época, era o que tinha e o pessoal comprava se divertia e faziam amigos, muitos autores se conheceram assim alguns chegaram a formar grupos.

Mas isso nao durou por muito tempo, com a vinda de mais quadrinhos estrangeiros no pais, os leitores se tornaram mais críticos, e nao queriam mais simplesmente o fanzine xerocado, nisso surgiram projetos de quadrinhos mais sérios como o holy avenger, que dizem ter vendido muito bem, mas quadrinho nacional tomou outra surra e dessa vez uma que ia demorar um bom tempo pra se recuperar, com a explosão de mangas no brasil o quadrinho nacional foi jogado de lado.

A partir dai se propagou o pensamento do brasileiro só faz merda , quadrinho nacional é mônica e resto e lixo, e ao mesmo tempo criou-se a síndrome de vira lata do artista nacional, com a mendigagem de “compre pra ajudar” “temos que ajudar o que e nacional” , por fim nessa época o mercado nacional foi tomado como morto, os bons desenhistas iam trabalhar pro mercado americano, e esse se tornou o grande ideal do autor br “sair da merda desse país pois apenas la fora vou ter alguma chance de mostrar a minha arte”.

Confesso que já tive a minha fase de “o brasil é uma merda” , e assim como muitos jovens ingênuos já tive o sonho de sair do pais pra poder publicar meu quadrinho, mas a realidade é que não tem nada de mais fácil, apesar do mercado de quadrinhos americano e japonês ser grande e já estar estabelecido a muitos anos, entre um estrangeiro desconhecido e um dos seus, obviamente as editoras darão preferencia a alguém de casa, tambem que na época vários brasileiros optaram por mudar de nome pra entrar no mercado como Mike Deodato, Joe prado e tantos outros.

Mas chega de falar de desgraça, finalmente chegamos na parte da historia onde o quadrinho nacional ressurge das cinzas como uma fênix, com o surgimento de uma coisa magica chamada internet as coisas aos poucos começaram a tomar outro rumo,agora era possivel publicar seu do trabalho sem custos de gráfica, editora e distribuidora alem é claro que isso ajudou muito na divulgação, já que uma vez na internet todos tem acesso a sua obra, alem do fato de ajudar e muito o desenhista agora tendo acesso a inúmeras referencias seja fotos ou desenhos , e poder trocar ideias com outros desenhistas mais experientes e ter uma resposta rápida dos leitores.

Com o surgimento de ferramentas como o catarze, tornou-se mais viável a produção de hq independente, e as mesmas com qualidade superior ao que e publicado nas editoras, e o resultado e o que vemos hoje em grandes eventos como a ccxp, que tem uma área propiá para os artistas nacionais(Artists’ Alley) onde vemos vários trabalhos de qualidade, como eu disse no começo esse é o melhor momento para o quadrinho nacional.

Finalmente cheguei no ponto em que queria, bom apesar de todo progresso que o mercado de quadrinho autoral conseguiu’ eu vejo dois problemas que podem prejudicar o mercado no futuro “o quadrinho cabeça e o mercado de luxo”

Creio que a questão do quadrinho cabeça começou quando os gêmeos ba e mon ganharam o eisner com sua hq day trippers, isso chamou a atenção não apenas de leitores mas tambem dos autores nacionais, que viram nisso uma forma de pegar esse publico, junte isso a graphic novel do astronauta que tambem tem essa pegada mais filosófica, e então temos a situação atual onde a maioria dos autores nacionais esta tentando dar uma de pseudo intelectual, querendo fazer a historia do passarinho que caiu da arvore e lançar esse material com capa dura banhado a ouro cravejado com diamantes.

Entendam que nao sou contra ter artigo de luxo pra colecionadores, e tambem curto ler quadrinhos mais filosóficos, o problema é só ter esse material de luxo, afinal criança tambem lê quadrinho, e a maioria delas depende de dinheiro dos pais, e dificilmente um pai vai dar 50 contos todo mês pra comprar um encadernado de luxo, se isso continuar a coisa vai se fechar num nicho e o publico nao vai mais se renovar algo que já aconteceu com o mercado americano.

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11 comentários sobre “QUADRINHO NACIONAL E O MERCADO DE LUXO

  1. Ótimo texto. Assim como muitos autores, creio que vocês esteja à frente do seu tempo. Esse seu texto pode ser visto como um espelho da realidade. Nele podemos ver as nuances de toda uma realidade que nos cerca e que acaba sendo apagada pela superestrutura

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  2. Concordo com o texto, mas será que a complexidade dos estudos efetuados auxilia a preparação e a composição das posturas dos órgãos dirigentes com relação às suas atribuições? Por outro lado, a estrutura atual da organização talvez venha a ressaltar a relatividade das diretrizes de desenvolvimento para o futuro. Todas estas questões, devidamente ponderadas, levantam dúvidas sobre se o início da atividade geral de formação de atitudes obstaculiza a apreciação da importância do orçamento setorial. O empenho em analisar o surgimento do comércio virtual não pode mais se dissociar das diversas correntes de pensamento.

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  3. Em uma análise aprofundada utilizandao o conceito de materialismo histórico, podemos perceber que o capitalismo ainda está na base de toda sociedade. O livre mercado, sem a intervenção do estado, pode atrapalhar a publicação de títulos graças a falta de condição de consumo de várias pessoas oprimidas pela burguesia

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  4. Cara, vi teu post no Genkidama, e como sempre vejo tu comentar nos meus textos, decidi comentar nesse porque acho que posso acrescentar algumas coisas.

    Vou pular a parte do contexto história sobre o mercado brasileiro, embora eu ache que ele não esteja totalmente correto. Como eu não estudei a fundo o assunto e nunca tive contatos fortes com editoras ou autores, não saberia corrigir nada.

    O que eu posso falar sobre é seu ponto principal do texto, a parte sobre os artistas atuais. Você citou a Comic Con Experience e seu Artists Alley, mas imagino que não teve a oportunidade de estar lá. O que eu vi, e até cobri por cima no meu texto, foi um cenário muito diferente deste que tu pintou. De fato existem obras “cabeça”, como o ótimo Shut Up and Listen ou Harmatã, e, embora não fossem “cravejados de diamante”, a maioria dos materiais caros tinham formatos diferenciados e conteúdo mais adulto. Porém, o erro estar em achar que era apenas isso. Confesso que isto foi o que mais me interessou, pois me encaixo no padrão “hipster”, até porque acho que nestas obras experimentais e “cabeça” que está a qualidade para quem quer entender mais de quadrinhos ou mesmo produzir quadrinhos, como eu e você.

    Mas isto não exclui as obras infantis, leves e para o público geral. Andei por todo o Artists Alley e posso afirmar que se as obras “cabeça” não eram minoria, no máximo eram iguais ao número deste outro tipo (ainda que, no fim, não haja uma divisão tão clara quanto fez parecer). Obras como Starmind, os mangás do Estúdio Seasons, os mangás do Lamen, Tools Challenge, entre inúmeros outros exemplos de tirinhas, comédias e afins. São obras que podem ser lidas por crianças e adultos, com temas variados e que estão longe de ser pretensiosas. Esta é uma visão errada sua, talvez motivada por uma falta de acesso a todo tipo de obra ou mesmo falta de interesse em obras mais bobas, já que nós somos de um público que prefere coisas mais “cabeça”, o tal do “seinen psicológico”.

    Recomendo pesquisar um pouco mais, visitar o Catarse com frequência, focar em editoras menores e, por que não, contribuir com esta suposta deficiência do mercado criando seus quadrinhos voltados para este público carente. Eu, particularmente, acho que o que falta é um engajamento maior das crianças e dos pais delas com o quadrinho, não sendo culpa dos autores. Tente comprar estas obras mais infantis que citei e dar pra algumas crianças da sua família ou algo assim. Acho que se todo fã de quadrinho fizesse isso, poderíamos contribuir aos poucos pra criar o público pros autores trabalharem.

    Obs: Tenho que confessar, mesmo discordando, achei a sua representação do autor nacional muito engraçada.

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    1. Muito obrigado por seu comentário cara

      Como eu disse no post não sou nenhum especialista na área, o que falei sobre a historia do mercado é baseado apenas na experiencia de vida que tive nesse meio, provavelmente tem muita coisa faltando nesse texto, por falta de conhecimento meu.

      Infelizmente esse ano não fui capaz de ir a Comic Con Experience e talvez tenha exagerado na minha critica, meu objetivo não era generalizar, mas sim apontar essa questão do mercado de luxo, que pelo menos eu tenho visto crescer nesses últimos anos.

      O catarze eu acompanho, e sempre vejo muita coisa pretensiosa por la, e mesmo os voltados pra um publico geral como tirinhas, alguns saem em encadernados de luxo, eu mesmo tenho alguns que comprei aqui, e digo que não é o tipo de material que uma criança tereia condições de .comprar, mas é claro que tem coisas mais acessíveis a todos como o One Shot Mangá BR e afins, mas na minha opinião de merda deveria ter mais coisas do tipo.

      Mas talves no fim eu esteja equivocado com tudo o que escrevi, pode ser como você falou e seja uma falta de pesquisa minha.

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  5. Acabei caindo aqui e discordo fortemente de sua opinião sobre o CatarSe. Você diz que os projetos propostos para lá são pretensiosos e saem em edição de luxo, mas pelo que me recordo, muito dos quadrinhos podem ser adquiridos com até R$15,00~R$20,00. Acima desse valor vem umas recompensas a mais, é claro.

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